Em 2014, quando fui estudar na Inglaterra, descobri que isso existia.
Não era apenas concerto, mas uma imersão profunda na música clássica; uma maneira leve, criativa e acolhedora de aproximar o público da obra musical, algo que eu jamais tinha visto no Brasil.
Essa experiência me marcou profundamente porque a minha própria relação com a música começou assim: por descoberta.
(Sou filho de uma família de não-músicos, cresci morando longe das salas de concerto e a minha entrada no mundo musical foi quase um acidente: ganhei de aniversário um piano de brinquedo — um presente que não pedi — e aquilo mudou completamente o curso da minha vida.)
Mais tarde, já de volta ao Brasil, assumi a Orquestra Sinfônica da UFPB e comecei a falar com a plateia antes dos concertos, do jeito que via na Inglaterra.
Isso me fez descobrir uma habilidade que depois se tornou o meu trabalho na internet.
O que começou como conversas antes de concertos se transformou numa comunidade inteira reunida em torno de aprender a escutar música clássica.